Wagner Moura cresceu em cidade no Sertão da Bahia que foi inundada por construção de hidrelétrica
12/01/2026
(Foto: Reprodução) "Emoção arretada", diz Wagner Moura sobre prêmios no Globo de Ouro
O ator baiano Wagner Moura, que venceu, no domingo (11), o prêmio de melhor ator em filme de drama no Globo de Ouro 2026 por "O Agente Secreto", passou parte da infância na cidade de Rodelas, no Sertão da Bahia, que foi inundada por causa da construção da Hidrelétrica de Itaparica nos anos 1980.
Por causa da inundação, a cidade de Nova Rodelas foi construída para receber os moradores.
Na época, Wagner Moura tinha 11 anos e chegou a ser entrevistado por uma emissora de televisão, com lama no rosto. A reportagem viralizou nas redes sociais depois dele crescer e virar ator.
"Não estava com vontade me mudar não, mas agora que já mudei... É legal, melhor que aqui. Não, nem tudo... Porque aqui é o lugar que a gente brinca, sempre se diverte, já tem as coisas tudo, que a gente já sabe tudo. Lá é tudo estranho para a gente. Aqui a gente joga bola e brinca de se esconder", disse na época ao ser perguntado se tinha gostado de se mudar.
Em entrevista ao programa "Papo de Segunda", da GNT, em novembro de 2021, o artista voltou a falar sobre a infância.
"Sou resultado do lugar de onde vim, da minha infância, do contexto cultural onde fui forjado, tanto do sertão da Bahia quanto de Salvador. Do que vi, do que vivi, do que vi de produção cultural, de produção artística em Salvador, de estar ali naquela cidade com aquelas pessoas, né?", afirmou.
"Isso, para mim, é muito importante. Quando digo que sou lá fora um ator interessante para eles porque sou de Salvador, tenho total clareza disso. Não faz sentido querer trabalhar lá e querer ser um cara igual àqueles caras lá".
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Wagner Moura no Globo de Ouro
AP Photo/Chris Pizzello
Natural de Salvador, o ator passou parte da infância em Rodelas, no interior do estado. Durante a adolescência, ao retornar à capital baiana, iniciou sua carreira no teatro. Wagner também se formou em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (Ufba).
Aos 16 anos, ele já atuava nos palcos de Salvador e participou de peças como "Cuida Bem de Mim" e "A Casa de Eros". Em 1997, sua performance em "Abismo de Rosas", dirigida por Fernando Guerreiro, lhe rendeu o prêmio Revelação no Prêmio Braskem de Teatro.
O reconhecimento nacional veio com a peça "A Máquina", de João Falcão, em 2000, em que atuou ao lado de Lázaro Ramos e Vladimir Brichta. O espetáculo abriu portas para Wagner Moura no cinema e na televisão.
Em 2007, ele interpretou o personagem "Boca" no filme Ó Paí, Ó, que foi gravado no Pelourinho, em Salvador, e protagonizado por Lázaro Ramos. Os artistas possuem uma forte ligação e são amigos de longa data.
Wagner Moura e Lázaro Ramos em cena de 'Ó, Paí, Ó'
Reprodução
Os dois ainda gravaram juntos o programa Sexo Frágil, na TV Globo, em 2003. Lázaro Ramos interpretou o personagem Fred e Wagner Moura, Edu. Também faziam parte da trama Bruno Garcia, como Alex, e Lúcio Mauro Filho, que fazia Beto. Os quatro eram amigos que se esforçavam para entender o "universo das mulheres".
Em 2023, Lázaro Ramos publicou uma foto nostálgica com Wagner diretamente de 2003, durante as gravações do programa. [Veja abaixo]
"Exatos 20 anos depois, olha aí! Lazinho e Wagner novinhos em 2003, durante as gravações do programa Sexo Frágil. Época de muitas risadas, amizades novas e fortalecimento das antigas e muito aprendizado", relembrou o artista.
Lázaro Ramos publica foto nostálgica em programa com Wagner Moura e agita as redes sociais
Reprodução/Redes Sociais
Também na legenda da foto, Lázaro Ramos revelou que ficou muito feliz com a foto enviada pelo amigo Pino Gomes, que segundo ele "tirou lá do fundo do baú" e o deixou nostálgico.
Em 2021, Wagner Moura dirigiu, roteirizou e produziu o filme Marighella, que conta a história do baiano Carlos Marighella: guerrilheiro, político e escritor, assassinado em uma emboscada, pela ditadura militar, em 1969.
Em entrevista ao g1, Wagner falou sobre a censura que sofreu pelo governo federal, no período de captação de recursos, por meio da Agência Nacional do Cinema (Ancine).
"Nós queríamos que o lançamento aqui fosse em 2019, e não foi porque o filme foi censurado mesmo, eu não tenho problema nenhum de dizer isso. Há vários indícios da má vontade desse governo com projetos específicos. O próprio Bolsonaro falava que a Ancine tinha que ser filtrada. Então, eu não consigo descontextualizar a não-estreia de Marighella e a forma com que, burocraticamente, o filme foi impedido de estrear quando nós queríamos, com o contexto anticultura e antidireitos humanos que o Brasil vive", disse o ator na ocasião.
No ano passado, o ator baiano conquistou o prêmio de melhor ator no Festival de Cannes também por sua atuação em "O Agente Secreto", dirigido por Kleber Mendonça Filho. O longa, ambientado durante a ditadura militar brasileira, destaca-se por sua abordagem estilizada e crítica à repressão política da época.
Wagner Moura venceu prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes 2025 por sua atuação em O Agente Secreto
Divulgação
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